No mês de agosto, o IBV Auto registrou uma leve estabilidade nos preços dos automóveis leves usados no Brasil, apresentando uma queda de 0,01%. Esta variação é a mais baixa desde abril de 2024 e segue a tendência de desaceleração que teve início em julho, quando houve um incremento de 0,07%. Fatores como taxas de juros elevadas, dificuldades financeiras das famílias e uma diminuição na demanda contribuem significativamente para esse quadro.
Análise Regional: Queda no Sul e Sudeste, Alta no Centro-Oeste

Segundo Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, “a leve queda em agosto, após a modesta alta em julho, confirma a desaceleração nos preços dos veículos usados”. Ele destaca que a redução da atividade econômica, as taxas de Selic em patamares elevados e a concorrência com veículos novos explicam essa situação, mesmo que os efeitos sejam percebidos com um certo atraso.
Considerando os dados acumulados de 2026, o IBV Auto aponta um crescimento de 3,55%, inferior ao aumento de 3,74% registrado no mesmo período do ano passado. Analisando de forma anualizada, a alta recuou de 6,10% para 5,12%. As flutuações mensais, que começaram a se acentuar desde setembro do ano anterior, também são impactadas por efeitos-base.
Modelos como o Ford Ka apresentaram uma queda de 2,27%, o Fiat Mobi -2,06% e o Volkswagen T-Cross -1,66%, contribuindo para a leve desvalorização. Em contrapartida, o Fiat Uno subiu 1,68%, enquanto o Volkswagen Fox e o Toyota Corolla tiveram altas de 1,39% e 0,51%, respectivamente.
Regionalmente, o Sul destacou-se na redução mensal, com uma queda de 0,44%, após um aumento de 0,22% em julho. O Sudeste também apresentou uma leve diminuição de 0,11%. Em contraste, o Centro-Oeste teve um crescimento de 0,81%, enquanto o Nordeste e o Norte cresceram 0,62% e 0,03%, respectivamente.
Tendências e Perspectivas no Mercado de Usados
Das 27 unidades federativas, 19 observaram alta nos preços, enquanto oito mostraram queda. Apesar de a maioria apresentar crescimento, as diminuições em estados que têm grande peso na composição do IBV Auto ajudaram a estabilizar o índice a nível nacional.
Observando a melhora anualizada, o Rio de Janeiro é o campeão em valorização, com 6,28%, seguido de Sergipe e Mato Grosso, que registraram 6,18% e 6,15%, respectivamente. Santa Catarina e São Paulo contribuíram com os maiores avanços, de 3,20% e 3,33%, sendo este último influenciado pela importância do mercado paulista nos resultados gerais.
Jamil Ganan, vice-presidente de Varejo do banco BV, afirma que “o desempenho de agosto reflete um enfraquecimento do ciclo de alta que começou no final de 2025”. Ele ressalta que essa dinâmica reflete, com certo atraso, a feroz concorrência entre novos modelos e marcas que ingressaram no mercado.
Um dado interessantíssimo surge ao se considerar o tipo de motorização. Para veículos do ano de 2023, os modelos elétricos apresentaram uma desvalorização de 46,15% até agosto, enquanto os híbridos perderam 26,36%, e os a combustão recuaram 21,72%.
Importante notar que a amostra de veículos elétricos de 2023 ainda conta com uma participação limitada de modelos chineses recém-lançados no Brasil, implicando que esse percentual não deve ser considerado representativo da performance atual desse segmento no mercado de usados.
Fonte: Alpha Autos





