Nos primeiros nove meses do ano, a fabricação de veículos provenientes de kits chineses, através das metodologias CKD e SKD, atingiu 123 mil unidades, dentro de um total de 173 mil veículos montados no Brasil. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, apenas 50 mil dessas montagens se deram através de processos industriais completos instalados no país.
CKD e SKD: Impulsionadores do Crescimento do Setor

Esses sistemas consistem no envio de veículos desmontados ou parcialmente montados, que são finalizados nas instalações brasileiras. A complexidade do processo de montagem varia entre as montadoras e seus veículos. Enquanto algumas realizam apenas os processos finais, outras incluem etapas como soldagem e pintura, incorporando também peças produzidas localmente.
Importante ressaltar que, independentemente do método utilizado para montagem, todos os veículos são contabilizados de forma semelhante na produção nacional. Isso proporciona um controle geral sobre o número total de unidades finalizadas, sem distinção sobre a fabricação local ou o papel dos fornecedores no processo.
No mesmo período, a produção total de veículos alcançou 2,166 milhões, mostrando um crescimento de 8,7%. Os kits chineses foram fundamentais para esse aumento, beneficiados pela crescente demanda interna. Esta situação também é marcada pelo crescimento das importações, enquanto as exportações enfrentam declínio.
A montagem através de kits pode ser o ponto de partida para a nacionalização. Novas montadoras devem aprimorar suas operações, adaptando linhas de produção e compreendendo suas redes de fornecedores. No entanto, essa evolução não ocorre de forma instantânea; ela depende de volume, contratos, competitividade de componentes locais, assim como dos compromissos de cada fabricante.
Kits Chineses: Mudanças na Indústria Brasileira
Os fornecedores locais se concentram em acessar novos projetos. Componentes como pneus, vidros, plásticos, peças metálicas e sistemas elétricos têm potencial para serem integrados de forma gradual. No entanto, itens mais complexos, como baterias e semicondutores, têm sua fabricação concentrada além das fronteiras e precisam de demanda em larga escala para justificar a produção local.
É essencial que as políticas industriais separem a montagem final das etapas de produção que incluem engenharia, ferramentaria e desenvolvimento local. O objetivo é incentivar a chegada de novos fabricantes e estabelecer diretrizes claras para integração. Metas progressivas podem ser estabelecidas sem exigir uma nacionalização imediata de todos os sistemas envolvidos.
Essa temática impacta diretamente o emprego, a arrecadação de impostos e a balança comercial. Embora a produção nacional possa gerar efeitos significativos, o impacto real depende do entendimento sobre as etapas do processo de montagem. Clarear essas variáveis permitirá uma análise mais justa do quanto do crescimento estatístico realmente representa progresso industrial, em contraste com a simples importação de kits completos.
Fonte: Alpha Autos





