A Grande São Paulo viu uma significativa queda nas viagens diárias, reduzindo de 42 milhões em 2017 para 35,6 milhões em 2023, conforme dados do Insper Cidades. Por outro lado, o uso de aplicativos para viagens individuais disparou, aumentando 135%, saltando de 468 mil para 1,1 milhão de viagens diárias.
Essas informações provêm do Relatório de Tendências do Automotive Business Experience 2026 (#ABX26). O documento identifica cinco obstáculos principais à inovação na mobilidade urbana brasileira: longas distâncias entre residências e trabalho, desigualdade no tempo de deslocamento, altos custos para os usuários, falta de integração na gestão urbana e escassez de dados confiáveis para decisões estratégicas.
A diminuição nas viagens não indica necessariamente uma melhora na eficiência do transporte, podendo refletir problemas financeiros, percursos longos ou congestionamentos de acesso, segundo a análise do relatório.
A pesquisa Origem-Destino de 2012 também revela que o tempo médio de travessia no transporte coletivo era de 67 minutos, em comparação aos 31 minutos no setor privatizado, o que representa um desafio grande para os usuários do transporte público.
Daniel Rodrigues, da Piera, consultoria responsável pelo relatório, salienta que “o desafio da mobilidade urbana vai além da mera oferta de transporte; é essencial garantir tanto acesso quanto eficiência”.
Avanços na Eletrificação e Necessidade de Investimentos
O relatório aponta um aumento notável na eletrificação do transporte coletivo brasileiro, com mais de 2 mil ônibus elétricos já em operação. No primeiro semestre de 2026, houve um crescimento de 92,5% nos registros de veículos elétricos em comparação ao mesmo período de 2025.
Entretanto, a expansão das frotas elétricas está condicionada a melhorias na infraestrutura de recarga, planejamento de energia e novos modelos de financiamento. A presença marcante de ônibus elétricos em São Paulo destaca a dificuldade de implementar esse modelo em outras regiões do país.
Dentre os desafios principais, o relatório menciona a dependência das tarifas, a divisão de responsabilidades entre as cidades e a falta de padrões na informação para medir a eficácia dos serviços de transporte.
Rodrigues conclui: “Avaliar a inovação na mobilidade apenas através da tecnologia é insuficiente. O verdadeiro avanço depende do desenvolvimento de projetos financeiramente viáveis, da integração de operadores e da utilização eficaz de dados para decisões fundamentadas”.
O estudo também prevê cinco principais tendências para os próximos anos: fortalecimento da governança metropolitana, descarbonização centrada no ciclo de vida dos veículos, ampliação da eletrificação, aumento no uso de motocicletas e transportes leves, além da gestão de dados nos sistemas de transporte. As diretrizes incluem um plano de ação a ser elaborado entre 2026 e 2029, com foco na segurança viária, integração tarifária, financiamento e eficiência operacional.
Este levantamento faz parte do Relatório de Tendências do #ABX26, que contou com a colaboração de mais de 300 executivos, 7 consultorias parceiras e cerca de 100 horas de debates. A Piera consolidou as discussões do Comitê de Mobilidade Urbana, que ocorreram entre abril e agosto de 2026.
Fonte: Alpha Autos





