O EndoAir, uma iniciativa do médico Igor Chiminacio, busca levar cuidados especializados em endometriose a diversas regiões do Brasil. No dia 1º de outubro, ocorreram os primeiros atendimentos no Rio de Janeiro, onde uma paciente de 41 anos recebeu tratamento após sofrer por quase três décadas com dores intensas.
Moradora de Teresópolis, a paciente passou cerca de dez anos buscando cura para dores que inicialmente foram diagnosticadas como ortopédicas. Sua percepção mudou ao assistir um vídeo de Chiminacio, no qual reconheceu seus sintomas.
Após uma minuciosa avaliação, foi identificado que ela sofria de endometriose severa, afetando os nervos da pelve.
A missão do EndoAir é proporcionar assistência médica em localidades fora de sua prática usual. Por meio de uma aeronave, a equipe médica viaja para diferentes cidades, eliminando a necessidade de longos deslocamentos que atrasam o tratamento.
Chiminacio enfatiza: “A endometriose pode se manifestar com sintomas que não se limitam ao ginecológico. Uma dor irradiada para a perna pode resultar em anos de tratamento equivocado. A identificação conjunta dos sinais é essencial para um diagnóstico correto”.
Durante o procedimento realizado no Rio, a equipe removeu lesões de endometriose e tratou os nervos comprometidos. Utilizou técnicas de neuropelveologia, destacando a manobra PAtO, que Chiminacio apresentou no Congresso Global da AAGL em Vancouver, previsto para 2025.
A abordagem se baseou no Conceito do Polvo, que explica como a endometriose e a fibrose podem impactar diferentes tecidos da pelve, levando a uma série de sintomas. O foco no caso da paciente foi a remoção das lesões e a descompressão dos nervos afetados, com a intenção de aliviar a dor.
A equipe do EndoAir é composta por profissionais que colaboram em conjunto, incluindo o cirurgião João Francisco Petry, a anestesista Thayse Cormanique Kayser, o intensivista Guilherme Benfatti e a instrumentadora Eloísa Vendramin. Essa cooperação é crucial no tratamento de endometriose profunda, que pode afetar diversos órgãos.
A experiência da paciente no Rio evidencia manifestações da endometriose que muitas vezes não são imediatamente reconhecidas. Embora cólicas e dor pélvica sejam sintomas clássicos, a condição também pode causar desconfortos com aspectos neurológicos ou que se confundem com questões ortopédicas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 190 milhões de mulheres em idade fértil lidam com a endometriose, representando aproximadamente 10% da população feminina nessa faixa etária. Essa diversidade de apresentações explica o longo percurso que muitas mulheres enfrentam até receberem um diagnóstico preciso.
Expansão do EndoAir e Formação de Profissionais
A aeronave do projeto, um Cessna 525 CitationJet 1, denominado PS-IGR, alcança velocidades de cerca de 700 km/h e pode operar a quase 40 mil pés, possibilitando acesso a pistas menores e facilitando atendimentos em diversas localidades.
Chiminacio menciona: “Isto não é luxo, mas sim uma ferramenta de trabalho. O EndoAir nos permite discutir casos e descansar durante as viagens, sempre focando na ampliação do acesso ao tratamento da endometriose no Brasil”.
Desde a sua criação, o EndoAir já atendeu diversas localidades no país. A chegada ao Rio de Janeiro marca uma nova fase de crescimento, com a meta de expandir gradativamente a rede de apoio a pacientes em outros estados.
A proposta do EndoAir é mudar a realidade das mulheres afastadas dos centros especializados, permitindo que médicos se desloquem até os pacientes, em vez de forçar as pacientes a viajar longas distâncias.
Adicionalmente, o projeto também visa fomentar a formação contínua dos profissionais de saúde nas regiões atendidas, compartilhando conhecimentos sobre diagnóstico e tratamento da endometriose.
Fonte: Portal Hortolândia




