Em junho, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) iniciou uma consulta pública para discutir a regulamentação da internet das coisas (IoT) e das comunicações máquina a máquina (M2M) no Brasil. Hoje, cerca de 30 milhões de dispositivos estão conectados a essas tecnologias, representando 11% do total de conexões móveis.
Esse setor está em franca expansão, com a Anatel projetando um aumento de 9,9% nos acessos de IoT entre 2023 e 2024, totalizando 47,3 milhões. Esse crescimento é especialmente impulsionado pelos dispositivos M2M, utilizados em rastreamento de veículos e gerenciamento de frotas.
Essa evolução gera uma pressão significativa nas centrais de rastreamento, que precisam lidar em tempo real com o volume crescente de dados provenientes de carros e equipamentos conectados. Segundo André Luiz Ota, CEO da Ikonn, o setor enfrenta uma transformação, onde soluções simples estão sendo trocadas por arquiteturas mais eficientes e escaláveis.
“Nosso mercado está abandonando opções menos confiáveis. O enfoque nos últimos anos foi na instalação básica de rastreamento. Hoje, quem ainda utiliza sistemas obsoletos encontra uma concorrência desafiadora”, destaca Ota.
Para se diferenciar, as centrais estão reavaliando a prática de “comprar software barato” e passando a investir em um ecossistema de alta disponibilidade, assegurando que suas plataformas possam crescer sem comprometer a experiência do usuário.
Elementos Essenciais para o Crescimento
Ota ressalta que a engenharia de sistemas é vital para preparar as centrais para a escalabilidade. Apenas adicionar servidores não é suficiente; é imprescindível ter uma infraestrutura de dados resistente para sustentar o crescimento do IoT desde o princípio.
“Três elementos são fundamentais: um banco de dados potente que consiga processar trilhões de coordenadas em segundos; automação operacional com motores autônomos de decisão para minimizar a necessidade de intervenção humana; e integração eficaz entre os sistemas administrativos e as ferramentas de campo, garantindo uma única fonte de informação”, explica Ota.
A execução das operações é também crucial. O CEO da Ikonn adverte que falhas na instalação ou na configuração do hardware podem afetar a coleta de dados. “Soluções que viabilizam o autoteste durante a instalação são essenciais, validando todos os conectores antes da entrega do serviço. Isso previne retrabalho e agiliza a ativação dos novos sistemas de monitoramento”, afirma.
Tendências Futuras
Ota projeta que, nos próximos anos, as centrais com controle total sobre suas operações se tornem mais comuns, enquanto as soluções terceirizadas podem ser suprimidas. Ele acredita que a crescente adoção do 5G, combinada com inovações tecnológicas como um padrão internacional de telemetria, demandará um processamento mais eficiente, como a edge computing.
“O futuro vai além do simples rastreamento; estaremos lidando com fluxos de vídeo e utilizando IA preditiva e monitoramento biométrico em tempo real”, afirma. Segundo ele, empresas que não investirem em uma engenharia sólida para administrar essa grande quantidade de dados correm o risco de perder relevância no mercado rapidamente.
Essa tendência está alinhada com as observações da Anatel, que indicam que dispositivos conectados estão modificando os dados trafegados nas redes, forçando as centrais de rastreamento a possuírem uma base técnica que suporte o crescimento sem sacrificar a qualidade do serviço.
“A discussão atual sobre regulamentação e os dados de crescimento ressaltam que a infraestrutura tecnológica é crucial para a competitividade do setor nos próximos anos”, finaliza Ota.
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