O recente aumento nos preços internacionais do petróleo e as dificuldades na oferta de diesel têm causado um impacto significativo na logística, afetando tanto o transporte rodoviário quanto o marítimo. Essa situação tem repercussões diretas na movimentação de componentes e veículos na cadeia produtiva da indústria automotiva, englobando toda a sua rede de fornecedores e concessionárias.
Custos Logísticos em Ascensão devido ao Petróleo

O petróleo Brent, por exemplo, superou os US$ 105 por barril, enquanto o preço do WTI atingiu cerca de US$ 93. Esses valores correspondem a aproximadamente R$ 560 e R$ 496, respectivamente, sem considerar fatores como qualidade, custos de refino e taxas tributárias.
A contínua instabilidade no Oriente Médio cria incertezas nas rotas de exportação de petróleo. Apesar do aumento no volume de exportações, o mercado continua se ajustando para possíveis interrupções, o que afeta diretamente os custos de frete e seguros, além da gestão de estoques em refinarias e distribuidores.
Destaca-se que o diesel representa uma parte significativa dos custos logísticos no Brasil, pois a maior parte das mercadorias é transportada por caminhões. Componentes produzidos em regiões diferentes podem passar por várias etapas até chegarem à montagem final, aumentando assim o impacto do preço do combustível nos custos totais.
Depois da fabricação, os veículos são enviados para concessionárias ou operadores de frotas. A alta no custo do diesel força as transportadoras a absorverem esse ônus adicional ou a renegociar contratos. A capacidade de alterar preços dependerá das cláusulas acordadas, e essas alterações podem ocorrer somente após viagens que resultaram em despesas além do planejado.
Perspectivas e Soluções no Transporte de Cargas
As montadoras têm buscado alternativas para mitigar esses desafios, utilizando modais de transporte distintos, como ferrovias e cabotagem. Contudo, muitas vezes é necessário o uso de caminhões nos trechos iniciais e finais, o que ainda limita a efetividade dessa estratégia. Uma mudança completa para esses novos modos de transporte requer uma infraestrutura adequada e um volume de carga suficiente.
Embora opções como caminhões elétricos e veículos a gás ou biometano sejam promissoras, elas demandam investimentos elevados e um sistema de abastecimento apropriado. A transição da frota não é um processo instantâneo, visto que fatores como aquisição, financiamento, depreciação e manutenção influenciam as decisões dos transportadores.
A duração das flutuações nos preços do diesel será um fator determinante para a indústria automotiva nacional. Oscilações de curto prazo podem ser mitigadas por meio de ajustes contratuais e estoques, mas aumentos prolongados tendem a impactar preços de frete, planejamento de produção e custos operacionais, afetando toda a cadeia produtiva até que os veículos cheguem aos consumidores.
Fonte: Alpha Autos





