Com o avanço dos veículos elétricos no Brasil, as oficinas precisam rever sua abordagem e capacitação dos profissionais. A manutenção desses automóveis implica em lidar com alta tensão, sistemas elétricos complexos, gestão térmica e integração entre módulos, o que transforma significativamente o diagnóstico e o processo de reparo.
A demanda por veículos elétricos pede habilidades especializadas

Segundo Felisberto Moraes, diretor da Tramontina PRO, a capacitação é crucial para o setor em expansão: “Estamos sempre observando o mercado para apoiar a transição energética no setor automotivo, oferecendo estrutura que garanta a segurança em veículos de baixa emissão”.
Informações da Associação Brasileira do Veículo Elétrico indicam que, entre janeiro e junho, 215.023 veículos foram vendidos, um crescimento impressionante de 125% em relação ao mesmo período de 2025, quando 95.493 unidades foram comercializadas. Para contexto, apenas 451 veículos de energia elétrica foram vendidos no primeiro semestre de 2016, demonstrando a veloz evolução que as oficinas de reparação estão enfrentando.
Apesar de os veículos elétricos apresentarem menos componentes mecânicos que exigem manutenção regular, eles possuem sistemas elétricos e eletrônicos que necessitam de uma análise integrada. A redução em algumas manutenções não se traduz em menos trabalho para as oficinas, mas sim em um incremento nos investimentos em diagnósticos, interpretação de dados e avaliação das decisões feitas pelo veículo.
“O diagnóstico deve ser abrangente, envolvendo avaliações do sistema eletromecânico que abarca alta tensão, eletrônica, comunicação entre módulos e gerenciamento térmico”, enfatiza Nelson Fernando da Silva, especialista em Veículos Elétricos pela Escola do Mecânico, salientando que essa análise deve acontecer antes de qualquer substituição de peças.
Atualização da formação é essencial para o novo cenário automotivo

Compreender como funciona o sistema é vital para o mecânico. Um defeito em um componente pode estar ligado a questões de temperatura, falhas de comunicação ou estratégias de proteção. Trocar uma peça sem determinar a origem do problema pode levar a um desempenho inadequado do veículo.
Os desafios de trabalhar com sistemas de alta tensão incluem riscos de choques elétricos e curtos-circuitos. Portanto, o uso de ferramentas isoladas é crucial para evitar a formação de circuitos indesejados. A atuação exige formação específica, isolamento adequado da área de trabalho, identificação precisa dos circuitos e rigor no cumprimento da ordem de desenergização antes de qualquer intervenção.
O desenvolvimento na formação dos mecânicos abrange conhecimentos sobre baterias, eletrônica de potência, comunicação em rede e ferramentas de diagnóstico, enfatizando a análise de dados. O papel do profissional está em transformação: não se limita a trocar componentes, mas envolve diagnosticar e entender as causas de falhas em sistemas complexos.
Fonte: Alpha Autos




