Nos primeiros nove meses do ano, o Brasil registrou a venda de veículos eletrificados que totalizou 434 mil unidades, representando um crescimento expressivo de 126,2% comparado ao mesmo período de 2025. É importante ressaltar que grande parte desse avanço é impulsionado por veículos importados e montados localmente através dos kits CKD e SKD.
Importações e Montagens Atingem 362 mil Veículos

Dentre esses números, 262 mil veículos foram importados prontos, o que representa um crescimento de 82,7% em relação ao ano anterior. Os outros 100 mil veículos surgiram de conjuntos desmontados ou montagens parciais realizadas no Brasil. A produção nacional, no entanto, se limita a apenas 72 mil unidades, que são classificadas como fabricadas com processos industriais relevantes.
Essa análise envolve diversas tecnologias, abrangendo automóveis totalmente eletrificados, híbridos convencionais e híbridos plug-in. Cada categoria apresenta uma cadeia de produção distinta. Por exemplo, carros híbridos mantêm motores e sistemas tradicionais, enquanto os elétricos dependem de baterias, inversores e motores elétricos. A nacionalização exige parcerias com fornecedores e escalas que diferem entre essas configurações.
A importação facilita a rápida adoção de inovações provenientes de mercados estrangeiros, aumentando assim a competição e a gama de opções disponíveis aos consumidores. No entanto, essa dependência acarreta riscos envolvendo variações cambiais e logística, além de decisões empresariais que podem impactar o mercado interno. Quando as peças já chegam instaladas em um veículo, a influência na cadeia de fornecedores brasileiros se torna reduzida.
Os conjuntos CKD e SKD representam um modelo de montagem local que possibilita capacitação de mão de obra e otimização de equipamentos, criando uma estrutura propensa a incluir etapas como soldagem e pintura com componentes nacionais. Entretanto, a ausência de um plano claro para evolução pode transformar esse processo apenas na finalização de veículos inteiramente importados.
Desafios e Oportunidades para a Manufatura Local
A produção de baterias no país envolve a fabricação de células, módulos, sistemas de controle e estruturas de segurança. Embora as células possam ainda ser importadas, a montagem e a integração têm potencial para acontecer internamente. Componentes como motores elétricos e eletrônica de poder apresentam possibilidades de incrementar a industrialização deste setor.
O crescimento do mercado gera um volume que pode justificar novos investimentos em produção local, mas fatores como custo e a estabilidade regulatória continuam a ser determinantes cruciais nas decisões. Fornecedores precisam avaliar quais tecnologias proporcionarão sustentabilidade a longo prazo antes de realizarem investimentos significativos. Mudanças intempestivas em taxas, incentivos ou requisitos podem resultar em uma capacidade instalada sem uma demanda correspondente.
A eletrificação já se firmou comercialmente no Brasil, mas a verdadeira capacidade industrial dependerá do equilíbrio entre importações, montagens e produção nacional. O principal desafio será transformar parte das 434 mil unidades em oportunidades de desenvolvimento para engenheiros e fornecedores locais, enquanto se assegura acesso a inovações globais aos consumidores.
Fonte: Alpha Autos





