Um dado alarmante foi registrado sobre o aumento do tráfego de informações confidenciais para aplicativos de inteligência artificial (IA). O Cloud and Threat Report 2026 da Netskope revela um dobro de incidentes em comparação ao ano passado, com 223 ocorrências mensais por empresa.
No Brasil, a análise de transgressões em políticas de dados mostra que 64% dos casos relacionados à IA se referem à exposição de informações sensíveis, como dados pessoais e financeiros. Falhas no código representam 21%, enquanto 9% envolvem senhas e chaves de API, e 7% tratam de propriedade intelectual, segundo informações da Threat Labs da Netskope.
A preocupação com essas questões fez com que o setor logístico começasse a agir. Durante o 6º Fórum de Inovação do Transporte em Brasília, realizado em setembro, o foco foi em cibersegurança, IA e proteção de dados, ressaltando a importância de proteger sistemas e operações em um ambiente digital em constante evolução.
“Os dados salientam uma verdade crucial: à medida que a inteligência artificial se institucionaliza nas empresas, a necessidade de investimentos em segurança de informação, treinamento e governança para proteção de dados torna-se evidente”, afirma Elizabete Loz, chief compliance officer da Prestex.
Elizabete enfatiza que a implementação de IA no setor logístico proporciona ganhos notáveis em eficiência. Contudo, para usufruir desses avanços, é imperativo que as empresas estejam cientes dos riscos associados. “O cerne do desafio não é o uso da IA, mas sim a forma como ela é utilizada. Quando os colaboradores aplicam ferramentas de IA sem uma supervisão correta, podem acabar expondo informações sensíveis, o que compromete a segurança dos dados. Portanto, o proibitivo não é o caminho; é essencial estabelecer diretrizes bem definidas, oferecer ferramentas seguras e educar a equipe sobre um uso responsável dessa tecnologia”, relembra.
Requisitos para Operações Sensíveis
A Prestex Logística Ultraexpressa, que trabalha com transporte de cargas críticas B2B, intensificou a colaboração entre os setores de Tecnologia da Informação e Compliance para definir normas de utilização das ferramentas de IA. Com mais de duas décadas de operação, a companhia gerenciou aproximadamente 600 operações de fretamento no ano passado, integrando IA em muitas delas.
Conforme Marcelo Zeferino, diretor comercial da empresa, a IA não só aumenta a produtividade, mas também proporciona maior segurança nas operações. “Essa tecnologia é capaz de processar uma infinidade de dados em questão de segundos, categorizando rotas, condições meteorológicas e históricos de incidentes para identificar as rotas mais seguras, fortalecendo o monitoramento e permitindo ação preventiva”, destaca Zeferino.
Para garantir uma implementação segura da IA, a Prestex unificou as áreas de TI e Compliance há cerca de um ano. “O maior desafio foi acompanhar o ritmo acelerado das inovações sem comprometer a segurança e a governança. Transitar de diretrizes claras para capacitação dos profissionais é crucial para que tomem decisões éticas e responsáveis em relação à proteção de dados”, conclui Elizabete Loz.
Outra estratégia significativa adotada pelos gestores foi a participação em cursos em instituições renomadas, como a G4 Educação e a Live University. “Essas capacitações ampliaram a compreensão sobre a IA no ambiente corporativo, suas ferramentas e aplicações praticas. Com esses conhecimentos, desenvolvemos trilhas de aprendizagem personalizadas na Universidade Prestex, nossa plataforma educacional”, acrescenta Elizabete.
Adicionalmente, foi instituído o Compliance Day, um evento que aborda o tema, com dinâmicas e treinamentos para todos os colaboradores. Bruna de Sousa Braga, 23 anos, recentemente incorporada ao time como assistente de Governança, Riscos e Compliance, resumiu a mensagem do evento: “O maior risco é a troca de informações sem a devida cautela. Um pequeno deslize pode colocar em risco dados vitais. Antes de compartilhar, é essencial avaliar a segurança e, se houver dúvidas, consultar o compliance”.
A Hierarquia entre Agentes de IA
A Prestex não apenas implementa IA em suas estratégias, mas também em seus agentes, como LIO, que tem autonomia para acessar sistemas e tomar decisões. Em apenas seis meses, essa solução resolveu 30% das demandas sem intervenção humana, diminuindo a carga interna em quase um terço. O tempo de resposta para rastreamento urgente foi encurtado para 10 minutos, enquanto o sistema realiza consultas de faturas de forma instantânea, encaminhando questões mais complexas para as áreas apropriadas.
O uso de agentes de IA provoca uma reflexão pertinente: “Quem realmente lidera quem?”
“Quanto mais alto for o risco e menor a margem para correção, menor deve ser a autonomia do agente de IA”, observa Cláudia Sá, executiva de Marketing B2B, que participou do 23º Fórum de Compras e Sourcing em São Paulo, discutindo a dinâmica entre humanos e agentes na era das IAs no setor logístico.
A executiva ainda ressaltou que, antes de integrar um agente de IA à equipe, as seguintes perguntas devem ser feitas: o que não pode ser delegado à IA? Como podemos validar a confiabilidade das respostas? Quais dados são adequados para utilização? “A IA melhora a eficiência, mas quem realmente lidera e toma decisões é o ser humano”, enfatizou.
Fonte: Portal Hortolândia




