O uso de peças recicladas de veículos inativos pode reduzir significativamente o tempo e os custos de reparos, além de minimizar as emissões, desde que as condições e a compatibilidade das peças sejam cuidadosamente verificadas. Embora a utilização dessa prática esteja em ascensão em outros mercados, ainda não foi adotada pela Solera no Brasil.
Economia em Tempo e Emissões: Estudos Internacionais

De acordo com Marcelo Picolo, diretor executivo da Solera na América do Sul, as green parts não devem ser consideradas apenas como uma opção econômica. Quando a origem, a qualidade, e a compatibilidade das peças são confirmadas, elas podem acelerar reparos e reduzir o impacto ambiental das trocas.
A Solera gerencia uma rede com mais de 250 milhões de componentes circulando anualmente. Cada peça é devidamente inspecionada antes de ser reintegrada ao mercado de reparos, ajudando a preservar os recursos naturais necessários para a fabricação de novos componentes.
O avanço dessa prática exige uma troca contínua de informações entre as seguradoras, oficinas, fabricantes e recicladores. A falta de dados integrados sobre a disponibilidade e a condição das peças pode levar a decisões incorretas, devoluções e atrasos nos serviços.
Segundo Picolo, a circularidade na indústria automotiva demanda confiança e colaboração. É essencial ter informações detalhadas sobre a procedência, o estado e a compatibilidade das peças para garantir seu uso eficaz.
Tecnologia Avançada Auxilia na Escolha de Componentes Reciclados
O Qapter, uma ferramenta inovadora que atua no Brasil, utiliza inteligência artificial para decidir entre reparar ou trocar peças. Com recursos de Estimativas Inteligentes e Analytics, é possível avaliar a viabilidade do reparo e quantificar as emissões de CO2 resultantes durante o processo de sinistros.
Em nível global, as peças recicladas têm demonstrado uma redução de 60,3% nas emissões de dióxido de carbono, além de encurtar o tempo de conserto em 11,2% e reduzir os custos de sinistros em 10,1%, quando comparadas a novos componentes. Entretanto, esses índices podem variar conforme o tipo de veículo e a peça em questão.
Um debate sobre a temática será promovido no Global Circularity Consortium, que reúne seguradoras, montadoras, profissionais de reparo, recicladores e órgãos reguladores. Este consórcio será oficialmente apresentado no Brasil em 4 de novembro, durante o evento CQCS Inovação, em São Paulo.
A adoção local dessas práticas dependerá de um fornecimento consistente, critérios adequados de avaliação, rastreabilidade e comunicação eficiente entre todos os sujeitos envolvidos. Sem esses elementos, a economia potencial pode não ser aproveitada, em razão de incompatibilidades ou atrasos. Com dados consolidados, as peças retiradas de veículos poderão retornar ao mercado de reparos, com total clareza sobre sua origem, condição e uso.
Fonte: Alpha Autos




