
Recentemente, o Conselho de Investimentos da Tailândia iniciou conversas com a organização China EV100 para estabelecer diretrizes para a gestão de baterias retiradas de veículos elétricos. O objetivo é formular políticas eficazes a serem implementadas antes que a quantidade de baterias descartadas cresça significativamente entre 2028 e 2030.
Desafios do Descarte e Reciclagem

A expansão da frota de veículos elétricos requer uma gestão adequada após a venda. Apesar das baterias terem uma vida útil longa, é crucial que montadoras, governos, distribuidores e empresas de reciclagem delimitem suas responsabilidades quanto à coleta, transporte, avaliação e destinação desses componentes.
Uma bateria retirada de um veículo não deve ser automaticamente classificada como lixo. Baterias ainda em funcionamento podem ser reutilizadas em sistemas de armazenamento, enquanto as danificadas estão sujeitas à reciclagem. Isso demanda um diagnóstico efetivo, além de rastreabilidade rigorosa para evitar riscos, como incêndios, durante o manuseio.
O aspecto químico das baterias é igualmente relevante. Por exemplo, baterias de fosfato de ferro-lítio e aquelas que contêm níquel, manganês e cobalto apresentam valores e métodos de recuperação diferentes. Portanto, uma política eficaz precisa considerar essas particularidades e evitar a padronização indevida.
A responsabilidade estendida do produtor é um tema central nesse debate, envolvendo fabricantes e importadores no retorno dos produtos ao fim de sua vida útil. Esse mecanismo pode facilitar a logística reversa, desde que haja um cadastro eficaz e fiscalização rigorosa, além de metas claras para evitar a destinação inadequada das baterias.
Regulação e Rastreabilidade no Brasil
A rastreabilidade deve ter início na fabricação, com registros completos sobre a química, capacidade, origem e manutenção das baterias. Informação detalhada minimiza a necessidade de desmontagens para identificação. É vital que o acesso a essas informações proteja dados comerciais e pessoais.
No Brasil, a chegada de veículos elétricos destaca a necessidade urgente de diretrizes específicas para o gerenciamento de baterias de alta tensão. Embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos forneça diretrizes gerais, a implementação demanda critérios específicos sobre transporte, armazenamento, reutilização, reciclagem e responsabilidade, especialmente em relação a veículos importados.
O caso da Tailândia ilustra que o mercado de veículos elétricos usados necessita de uma cadeia de gerenciamento robusta após a venda inicial. O valor residual, garantias e a segurança do processo dependem da existência de empresas capacitadas para avaliar e fornecer uma destinação apropriada às baterias quando desmontadas dos veículos.
Fonte: Portal Hortolândia
