
Investir em melhorias nas rodovias brasileiras pode ser decisivo, com a possibilidade de preservar mais de 50 mil vidas e evitar 600 mil ferimentos. Além disso, a economia pode alcançar impressionantes R$ 90,3 bilhões em um intervalo de cinco anos.
Essas constatações provêm de um estudo realizado pelo Grupo Imtraff, liderado pelo doutor em Engenharia de Transportes, Frederico Rodrigues, em conjunto com o Observatório Nacional de Segurança Viária. O trabalho, que explora o impacto financeiro dos acidentes de trânsito, será discutido na Paving 2026, em São Paulo.
A pesquisa analisou registros da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), demonstrando que os custos dos acidentes extrapolam o local do evento, impactando também o Sistema Único de Saúde (SUS) e a Previdência Social.
Um estudo do Ipea aponta que os acidentes de trânsito geram cerca de R$ 50 bilhões de prejuízo anualmente. Cada acidente custa, em média, R$ 261.689, enquanto os fatais chegam a R$ 664.821. Curiosamente, mesmo representando menos de 5% do total de ocorrências, esses acidentes correspondem a quase 35% dos gastos totais relacionados.
Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária, salientou: “Toda ocorrência traz uma tragédia pessoal e custos para o governo. Investir em infraestrutura segura salva vidas e reduz a pressão no sistema de saúde, permitindo o redirecionamento de recursos para outras áreas sociais.”
Acumulado de Acidentes
Conforme dados do relatório da PRF de 2025, foram registrados 72.483 acidentes, resultando em 6.044 mortes nas rodovias federais, um número que mostra uma redução em relação ao ano anterior. A Pesquisa CNT Rodovias 2025 registrou 23.042 incidentes envolvendo saídas de pista, capotamentos e colisões frontais, sendo 4.739 dessas frontais.
Segundo a Fundação Dom Cabral, entre 2018 e 2024, as ocorrências nas estradas federais estão projetadas para aumentar em 9%. A maioria dos acidentes (52,38%) ocorre em rodovias de pista simples, seguidas por 39,53% em pistas duplas e 8,09% em múltiplas. As colisões frontais, por sua gravidade, apresentam um índice de 18,33%.
Sinalização e Segurança nas Estradas
A Pesquisa CNT de Rodovias de 2025 revela que a segurança em estradas é afetada por diversos fatores. Cerca de 64,4% das rodovias públicas apresentam problemas de pavimentação, o que eleva os custos operacionais em até 35,8%. A péssima qualidade do pavimento gera um desperdício anual de R$ 7,2 bilhões somente em consuntivo de diesel, somando 1,2 bilhão de litros a mais.
A CNT realiza essa pesquisa anualmente, sendo um importante diagnóstico da infraestrutura rodoviária do Brasil e orientando as operações de transporte e investimentos necessários.
Cenários de Investimento
O estudo apresenta duas alternativas de investimento para rodovias, tanto federais quanto estaduais e municipais. A primeira opção, que envolve a instalação de balizadores e sistemas de contenção, exigiria R$ 20,1 bilhões e traria um retorno de R$ 110,4 bilhões em seis anos, com uma relação benéfica de 5,5 para 1. A segunda proposta, que substitui balizadores por sonorizadores, demandaria R$ 2,6 bilhões, resultando em um retorno de R$ 70,2 bilhões, logrando uma relação de 26,8. Os investimentos projetados para rodovias federais são de R$ 6,2 bilhões para R$ 32 bilhões em benefícios e R$ 800 milhões para R$ 20,6 bilhões.
Frederico Rodrigues, CEO da Imtraff, enfatiza: “A análise da infraestrutura viária não pode se limitar à qualidade do asfalto. Estradas que protegem vidas devem também oferecer orientações, alertas e segregar fluxos, além de garantir segurança em eventuais falhas.”
Um debate sobre o tema acontecerá no dia 22 de setembro de 2026, às 11h, no Distrito Anhembi, na Avenida Olavo Fontoura, 1.209, São Paulo. Mais informações estão disponíveis em: https://www.onsv.org.br.
Fonte: Portal Hortolândia
