
Uma visão para um futuro com ônibus híbridos é o que a Driventic antecipa ao avaliar o cenário até 2035 para a eletrificação total de veículos de transporte coletivo na América do Sul. Lucas Rolim, diretor de Vendas na região, mencionou em entrevista ao Jornal Alpha Autos que ainda existem obstáculos financeiros e de infraestrutura que complicam a introdução de ônibus elétricos.
DIWA NXT: Soluções que Enfrentam Desafios de Custo e Infraestrutura

Rolim enfatiza que a DIWA NXT, complementada por um sistema híbrido leve de 48 V, se apresenta como uma solução viável no curto prazo. Ele reconhece que, embora a eletrificação plena seja um objetivo desejável, um tempo de adaptação é crucial para reduzir o consumo e as emissões durante a renovação das frotas.
A tecnologia DIWA NXT pode também ser adotada sem a opção hibrida, e testes realizados na América do Sul demonstraram uma redução de 9% a 12% no consumo de combustível apenas com a transmissão. A análise da configuração híbrida sugere uma economia adicional em torno de 6%, totalizando entre 12% e 18% de redução.
Em operações urbanas, onde há paradas frequentes, os benefícios desta tecnologia se mostram ainda mais significativos. Veículos com cargas variadas, principalmente os que enfrentam frenagens e manobras em baixas velocidades, também desfrutam das vantagens da DIWA NXT.
Graças à sua marcha inicial continuamente variável, essa transmissão minimiza as trocas convencionais, eliminando trancos e vibrações, além de aumentar a durabilidade dos componentes. Este fator é crucial, considerando que ônibus urbanos operam frequentemente a menos de 20 km/h, impactando tanto o consumo quanto o conforto dos passageiros.
Estratégias para a Eletrificação de Ônibus na América do Sul

Rolim menciona que a inovação não só aumenta a durabilidade dos componentes, mas também reduz os custos de manutenção. A proposta da Driventic busca equilibrar o investimento inicial com a economia gerada em combustível e redução de custos operacionais.
O sistema VEDS, essencial na estratégia de eletrificação total, utiliza um motor central voltado para ônibus elétricos. Rolim acredita que essa tecnologia ganhará mais espaço na região ao longo do tempo, enquanto a DIWA NXT híbrida atende as demandas de mercado atuais.
Outra prioridade da Driventic é aumentar a participação de fornecedores brasileiros em suas soluções. Embora a produção total no país ainda não seja viável, a empresa está em negociações para ampliar a fabricação da DIWA NXT para montadoras locais.
“Estamos em busca ativa de parcerias com fornecedores nacionais para incrementar a produção local”, afirma Rolim, referindo-se a esse movimento como parte do lançamento da transmissão no mercado sul-americano e da necessidade de assegurar viabilidade comercial.
A Driventic, após sua independência da Voith em novembro de 2025, se encontra em uma posição fortalecida para desenvolver soluções que atendam às necessidades específicas do mercado.
Segundo Rolim, a automação das transmissões será um passo fundamental antes da eletrificação plena. Embora ainda existam ônibus com câmbio manual, a transição para sistemas automáticos poderá contribuir significativamente para a redução de consumo e emissões enquanto a substituição de combustíveis fósseis não ocorre totalmente.
Entre os desafios persistentes estão os custos das baterias, opções de financiamento e a infraestrutura necessária para recarga. Rolim avalia que aprimorar a eficiência energética pode auxiliar na redução da necessidade de atualizações na rede elétrica, mas não elimina os investimentos necessários em sistemas de carregamento e fornecimento de energia.
Ele projetou que, até 2035, a tecnologia híbrida será destaque, similar ao flex no passado. Rolim acredita que os ônibus a diesel continuarão em operação a curto e médio prazos, enquanto soluções inovadoras surgirão gradualmente. A longo prazo, a Driventic espera expandir as opções elétricas à medida que os custos e a infraestrutura evoluírem.
Fonte: Alpha Autos
