Desde seu lançamento em setembro de 1962, o modelo de consórcios se consolidou como uma alternativa popular de autofinanciamento no Brasil. O setor, que já enfrentou crises econômicas e mudanças monetárias, tem mostrado um crescimento notável nos últimos tempos, com aumentos substanciais nas vendas de cotas e no número de participantes.
Luiz Antonio Barbagallo, economista da ABAC, enfatiza que, embora o setor não seja imune a desafios econômicos, sua capacidade de recuperação é admirável. Uma análise das vendas de cotas em relação à taxa Selic entre 2005 e 2025 revela que, em um período de 20 anos, apenas quatro anos apresentaram queda. Em contrapartida, em doze anos, a expansão foi superior a 5%, enquanto em dez deles ultrapassou 6%.
No entanto, a recessão entre 2013 e 2016 acarretou uma diminuição acentuada nas adesões. Barbagallo observa que fatores como altas taxas de desemprego e da Selic impactaram negativamente o interesse pelos consórcios. “Fatores como renda e emprego foram determinantes na busca por consórcios”, esclarece.
Sobre as perspectivas futuras, Barbagallo ressalta que a análise do cenário dependerá dos resultados das próximas eleições presidenciais e das políticas que o novo governo introduzirá. Com um déficit fiscal significativo, os ajustes necessários podem levar a uma desaceleração econômica, embora isso possa resultar na diminuição das taxas de juros.
O boletim Focus do Banco Central prevê uma taxa Selic em 12% até 2027, com um crescimento econômico projetado de apenas 1,5%. Barbagallo alerta que essa realidade pode impactar o setor, ocasionando uma diminuição na renda e na taxa de emprego.
A ABAC divulga periodicamente o Índice de Confiança do Sistema de Consórcios (ICSC). Embora não tenha caído abaixo de 60 pontos desde maio de 2024, em junho houve uma queda inesperada para 53,8 pontos, indicando uma possível desaceleração econômica.
Barbagallo prevê uma desaceleração moderada para 2027, sem uma recessão severa, a qual pode impactar os índices do sistema consorcial. Até o final de outubro, estará mais claro o cenário e as projeções de crescimento para os diversos segmentos.
Paulo Roberto Rossi, presidente da ABAC, observa que, independentemente das condições futuras, os consumidores estão se tornando mais informados sobre educação financeira. Relatos históricos mostram que até em momentos de crise, como na pandemia, os consorciados mantiveram suas adesões, resultando em crescimento contínuo.
Nos primeiros oito meses deste ano, foram vendidas 3,82 milhões de cotas, gerando um volume de R$ 389,59 bilhões. Nesse período, R$ 85,72 bilhões em créditos foram liberados para a aquisição de bens, beneficiando 1,18 milhão de novos consorciados. O total de participantes ativos também aumentou, atingindo 13,55 milhões em julho.
Fonte: Portal Hortolândia




