A segurança ao volante é crucial para os motoristas brasileiros. Contudo, o estresse do trânsito e o dia a dia podem prejudicar essa intenção. Uma pesquisa da Fundación Mapfre, em colaboração com a Escola Politécnica da USP (Poli-USP) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), revela que essa pressão, assim como o medo de atrasos, impactam diretamente a segurança das rodovias, levando a práticas de direção arriscadas.
Acidentes e suas Implicações
Em 2025, São Paulo contabilizou 1.038 mortes nas estradas, o segundo maior índice já registrado. No estado de São Paulo, o total de vidas perdidas alcançou 6.134, conforme dados do Infosiga (DETRAN-SP). O excesso de velocidade é um dos fatores críticos, aumentando tanto a frequência de acidentes quanto a gravidade das lesões. Além disso, o Brasil sofre uma perda estimada em 61 bilhões de dólares anualmente, o que representa 3,8% do PIB, devido a esses acidentes, segundo um estudo do Banco Mundial.
O relatório denominado “Velocidade em Áreas Urbanas e Segurança Viária”, apoiado pela Secretaria Nacional de Trânsito (SENATRAN), usou inteligência artificial para criar cenários e analisar o comportamento dos motoristas.
Fátima Lima, da Fundación Mapfre no Brasil, declara: “Estamos criando campanhas e estratégias educativas fundamentadas em dados para melhorar a segurança viária no Brasil”.
Dificuldades Cotidianas para os Motoristas
Apesar do desejo de dirigir com segurança, variáveis externas frequentemente dificultam essa meta. A pesquisa indicou que mais de 90% dos entrevistados valorizam o respeito aos limites de velocidade. Contudo, um terço admite sentir a pressão de se adaptar ao fluxo do trânsito, ter obrigações diárias ou perceber a velocidade permitida como inadequada para as condições da estrada.
Pressões Sociais nas Decisões de Direção
A pesquisa mostrou que a pressão familiar influencia a adesão aos limites de velocidade, com 80% dos participantes considerando a opinião de cônjuges e filhos. No entanto, o temor de multas é o principal fator motivador para 90% dos motoristas reduzirem a velocidade.
Nas áreas residenciais e em cruzamentos movimentados, o sinalização que indica os limites de velocidade pode provocar uma redução média de até 10 km/h, essencial para diminuir o risco de fatalidades e ferimentos graves. Um estudo realizado no Reino Unido revelou que diminuir a velocidade de 48 km/h para 32 km/h reduz a taxa de letalidade de 50% para apenas 10%.
Eficácia da Sinalização em Diferentes Tipos de Vias
Os diversos tipos de estradas influenciam a eficácia das sinalizações:
- Vias locais e cruzamentos: placas de limite de velocidade são mais eficazes, especialmente quando combinadas com elementos como lombadas.
- Vias expressas: motoristas tendem a ignorar sinalizações de velocidade, especialmente em seções de maior movimento.
- Moderação devido à presença de pedestres: a presença de pessoas nas calçadas naturalmente leva os motoristas a diminuírem a velocidade, um comportamento reforçado pelas sinalizações.
Recomendações para um Trânsito Mais Seguro
A pesquisa sugere que a implementação de sinalizações adequadas em pontos críticos, como áreas com pedestres, e ajustes nas velocidades regulamentadas conforme o propósito da via, são cruciais para uma condução mais segura. Essas iniciativas apoiam a meta do Governo Federal de reduzir em 50% as fatalidades no trânsito até 2030 (Pnatrans, Ministério dos Transportes).
O Prof. Dr. Cassiano Isler, da Poli-USP, destaca que “os resultados do estudo ressaltam a relevância de limites de velocidade seguros e compatíveis com o propósito das vias, além de uma comunicação eficiente que valide as sinalizações nas áreas urbanas”.
O estudo completo pode ser acessado gratuitamente no Centro de Documentação da Fundación Mapfre.




